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Planejamento Patrimonial

Seu Patrimônio Está em Risco

O Guia Essencial com os 5 Maiores Impactos do Novo ITCMD

Gabriel Souto · 8 min de leitura

As Regras do Jogo para Deixar um Legado Acabam de Mudar

Construir um patrimônio é a obra de uma vida. Protegê-lo e garantir que ele sirva como um alicerce para as próximas gerações é um desejo universal, um dos pilares do planejamento familiar e empresarial no Brasil. No entanto, as regras desse jogo complexo, que envolvem a transmissão de heranças e doações, estão prestes a ser reescritas de forma fundamental.

Uma mudança legislativa silenciosa, mas de impacto sísmico, está em curso. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2024, parte da regulamentação da Reforma Tributária, altera o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) de maneiras surpreendentes e contraintuitivas. O que parece uma simples atualização técnica é, na verdade, uma redefinição estratégica da tributação sobre o patrimônio. Para o patrimônio construído ao longo de décadas, a nova regra pode representar a diferença entre um legado e uma liquidação forçada.

Este artigo destila a complexidade dessa nova legislação nos 5 pontos mais impactantes que todo proprietário de patrimônio no Brasil precisa entender urgentemente. Ignorar essas mudanças não é uma opção.

Seu imposto vai subir (e muito), mesmo que a alíquota não mude

A mudança mais crucial do PLP 108 não está na porcentagem que você paga, mas na base sobre a qual essa porcentagem é calculada. Trata-se de um fenômeno conhecido como “majoração indireta de tributo”: a carga fiscal efetiva aumenta drasticamente, mesmo que a alíquota nominal do imposto (por exemplo, 4%) permaneça a mesma. Para heranças e doações de empresas familiares, o efeito será profundo.

2. O Fisco ganhou um “cheque em branco” chamado “Fundo de Comércio”

Se a mudança para o valor de mercado já é impactante, a nova lei introduz um elemento ainda mais controverso e subjetivo: a inclusão do “fundo de comércio” (goodwill) na base de cálculo do ITCMD.

“abre um ‘leque de subjetividade absurda para o fisco’”

3. Existe um escudo constitucional, mas talvez você tenha que lutar por ele

Contra aumentos súbitos e imprevisíveis de impostos, a Constituição Federal prevê uma salvaguarda fundamental: o Princípio da Anterioridade.

O objetivo é evitar que o contribuinte seja “surpreendido com um aumento súbito de encargo, sem a possibilidade de planejamento financeiro”.

4. A “janela de oportunidade” em São Paulo (e a corrida contra o relógio)

Um dos pontos mais surpreendentes da nova legislação é que ela não tem aplicação automática e imediata em todo o país. A mudança depende de uma ação posterior de cada estado.

5. O planejamento patrimonial “estático” morreu (e a internacionalização virou regra)

As consequências do PLP 108 vão muito além do cálculo do imposto. Elas marcam o fim de uma era e exigem uma mudança de mentalidade na forma como a riqueza é gerida e transferida no Brasil.

Um Novo Jogo Exige Novas Estratégias

O cenário para a sucessão de patrimônio no Brasil foi profundamente redefinido. O processo tornou-se mais caro, complexo e juridicamente incerto. A combinação de uma base de cálculo subjetiva com a pressão arrecadatória dos estados cria uma tempestade perfeita para os detentores de patrimônio, e diante desse quadro, a inação não é uma opção. Seu patrimônio foi construído com anos de esforço. Você está preparado para o novo custo de passá-lo adiante?

Publicado originalmente no Substack.

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